
ASERGHC reforça denúncias ao Ministério da Saúde sobre a gestão do GHC
29/06/2026No último sábado (27/06), a ASERGHC realizou o primeiro Seminário de Formação Política de 2026. O encontro reuniu associadas e associados para um importante momento de reflexão sobre a trajetória da entidade, seus 50 anos de lutas e conquistas e, sobretudo, os desafios que se colocam para o futuro da Associação e do Grupo Hospitalar Conceição (GHC).
A abertura do Seminário foi realizada pela presidenta da ASERGHC, Luciana de Almeida, que destacou a importância da formação política como ferramenta de fortalecimento da organização coletiva. Em sua fala, reafirmou que a defesa dos direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores constitui a principal razão de existir da Associação.
REPENSAR O FUTURO
Na sequência, o diretor Arlindo Ritter apresentou uma linha do tempo da história da ASERGHC, resgatando os principais momentos da entidade desde sua fundação. Em seguida, abordou os desafios que se apresentam para os próximos anos, especialmente diante das constantes iniciativas do Governo Federal de alterar a natureza jurídica do GHC, abrindo caminho para processos de privatização dos serviços públicos. Também alertou para o avanço das terceirizações e das Parcerias Público-Privadas (PPPs), mecanismos que aprofundam a lógica de mercantilização da saúde pública e fragilizam o Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante sua exposição, Arlindo também analisou a atual situação vivida pelas trabalhadoras e pelos trabalhadores do GHC. Segundo ele, a gestão prioriza a promoção institucional de suas expansões e investimentos em imagem, enquanto negligencia problemas estruturais que afetam diretamente quem mantém o hospital funcionando. Entre eles, destacou o elevado índice de absenteísmo, consequência das condições de trabalho e do adoecimento das equipes, problema que, segundo avaliou, vem sendo tratado com descaso pela administração.
O diretor ainda reafirmou o papel da ASERGHC como ferramenta de organização por local de trabalho, de fiscalização das condições laborais e de denúncia das violações de direitos.
NOVOS DESAFIOS
O debate contou com intensa participação do público durante toda a tarde, das 13h30 às 18h. Entre os principais temas levantados estiveram a necessidade de enfrentar o avanço das políticas neoliberais sobre os serviços públicos e os desafios da mobilização coletiva no GHC. Também foram discutidas estratégias para ampliar a participação da categoria, considerando as mudanças geracionais e as novas formas de organização dos trabalhadores.
NR-1 E INCLUSÃO SOCIAL
Na segunda parte do Seminário, foi realizada uma mesa sobre a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece as diretrizes gerais de Saúde e Segurança no Trabalho (SST). A atualização da norma passou a exigir que as empresas identifiquem, previnam e reduzam riscos psicossociais relacionados ao trabalho, como assédio moral, metas abusivas, sobrecarga e jornadas excessivas.
A advogada Aline Rennhack Panizzutti apresentou os principais aspectos da atualização da NR-1, esclareceu dúvidas sobre sua implementação e analisou as iniciativas de setores empresariais e gestores públicos que buscam adiar a aplicação obrigatória das novas exigências, inclusive por meio de questionamentos no Supremo Tribunal Federal (STF).
Encerrando a programação, a socióloga e professora Nina Becker abordou os desafios enfrentados por mães e pais de crianças atípicas, destacando os impactos da dupla jornada de cuidados e da ausência de políticas de apoio. O tema dialoga diretamente com uma das principais pautas defendidas pela ASERGHC: a luta pela redução da jornada de trabalho para empregadas e empregados públicos que são mães e pais de crianças atípicas.
O Seminário reafirmou a importância da formação política como instrumento de fortalecimento da organização coletiva e da defesa do SUS público, gratuito e de qualidade. Reunir dezenas de pessoas para uma tarde inteira de debates, reflexões e construção coletiva demonstra que a mobilização continua sendo um dos principais patrimônios da ASERGHC na defesa dos direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores.





















