
Audiência pública cobra solução urgente para a Unidade de Saúde Conceição
29/05/2026A ASERGHC participou de reunião com representantes do COREN/RS para tratar das condições de trabalho da enfermagem nos hospitais do Grupo Hospitalar Conceição. O encontro deu continuidade a uma série de cobranças já formalizadas pela entidade e teve como objetivo transformar os relatos da base em encaminhamentos concretos.
A reunião confirmou aquilo que trabalhadores e trabalhadoras da enfermagem vêm relatando há bastante tempo: os problemas não são isolados. Eles envolvem dimensionamento insuficiente, remanejamentos frequentes, sobrecarga, ausência de serviços de apoio no turno da noite, falta de locais adequados para descanso, fragilidades na saúde do trabalhador, relatos de assédio moral e situações de insegurança no ambiente hospitalar.
Transporte de pacientes e busca de medicamentos na farmácia não são funções da enfermagem
A ASERGHC apresentou ao COREN a preocupação da categoria com o deslocamento de técnicos e técnicas de enfermagem para funções que acabam retirando profissionais da assistência direta. Entre os pontos mais destacados estiveram o transporte de pacientes e a necessidade de buscar medicações na farmácia, especialmente durante a noite.
Na avaliação da ASERGHC, essas tarefas têm sido incorporadas à rotina da enfermagem de forma inadequada, deixando unidades desfalcadas e ampliando a sobrecarga sobre quem permanece na assistência. Trabalhadores relataram que, enquanto um profissional se desloca para levar paciente em maca, buscar medicamentos ou resolver demandas de apoio, outro fica responsável por uma carga ainda maior de cuidado.
Durante a noite o problema é maior ainda
A falta de apoio no turno da noite apareceu como um dos pontos centrais. Durante a reunião, foi ressaltado que à noite há menos estrutura administrativa, menos serviços de apoio e maior dificuldade de acesso a transporte, farmácia, manutenção e atendimento ao próprio trabalhador. Para a ASERGHC, não é aceitável manter a mesma complexidade assistencial com menos suporte e menor quantitativo de trabalhadores.
Saúde do trabalhador desmontada pela gestão do GHC
Outro ponto de forte preocupação foi a saúde do trabalhador. A entidade relatou que o serviço foi reduzido, na prática, ao atendimento periódico, deixando trabalhadores sem acolhimento adequado em situações de adoecimento, acidente de trabalho ou sofrimento psíquico. Também foram mencionadas dificuldades de atendimento no período noturno, casos de trabalhadores encaminhados para fora da instituição e ausência de suporte médico suficiente em situações que deveriam ser tratadas internamente.
A ASERGHC também questionou a forma como a gestão tem tratado o absenteísmo. Para a entidade, não basta auditar a quantidade de atestados ou responsabilizar individualmente os trabalhadores. É necessário investigar as causas reais do adoecimento, incluindo sobrecarga, ausência de descanso, assédio, insegurança, falta de pessoal, falta de apoio e falhas na organização do trabalho.
Outro tema levantado foi a forma como ocorrem as fiscalizações. A ASERGHC defendeu que os trabalhadores precisam ser ouvidos de maneira mais efetiva durante visitas e inspeções, e que a categoria precisa saber quando há canais abertos para participação. A entidade também apontou que, quando as fiscalizações se concentram apenas em documentos ou registros profissionais, deixam de alcançar problemas concretos do processo de trabalho.
Sobre as fiscalizações do COREN
Durante a reunião, foi discutida a possibilidade de o COREN atuar como mediador em uma agenda com a gestão do GHC, a ASERGHC e representantes da enfermagem. A proposta é construir um espaço de acompanhamento, com pauta definida, prazos e respostas objetivas. Entre os temas que devem ser priorizados estão dimensionamento, transporte de pacientes, farmácia, locais de descanso e saúde do trabalhador.
A ASERGHC defendeu que a categoria não pode seguir repetindo as mesmas denúncias sem retorno concreto. A entidade cobrou que qualquer processo de mediação ou fiscalização resulte em plano de trabalho, cronograma e compromisso formal da gestão. O objetivo é que o GHC apresente medidas possíveis, prazos de implementação e responsáveis por cada encaminhamento.
A entidade seguirá acompanhando os encaminhamentos e cobrará retorno formal do COREN/RS sobre as providências adotadas. A ASERGHC também orienta trabalhadores e trabalhadoras da enfermagem a seguirem registrando situações de risco, assédio, sobrecarga, violência, falta de estrutura e problemas de dimensionamento, para que a categoria tenha cada vez mais elementos concretos na defesa de condições dignas de trabalho.
ASERGHC segue recolhendo depoimentos da enfermagem do GHC
A entidade mantém aberto o formulário para que trabalhadores e trabalhadoras da enfermagem relatem situações relacionadas a dimensionamento, sobrecarga, descanso, assédio, estrutura, segurança e condições de trabalho. Os depoimentos ajudam a fortalecer a atuação da ASERGHC e podem ser enviados pelo site: https://aserghc50anos.com.br/enfermagem






