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29/04/2026Nesta quinta-feira, 30 de abril, aconteceu a roda de conversa sobre violências que afetam mulheres no ambiente de trabalho. Reunindo um grupo diverso de mulheres na Sede Social da ASERGHC, a roda de conversa serviu para fortalecer os laços entre as trabalhadoras na compreensão de que as violências são inaceitáveis, de que é fundamental registrar os ataques, sempre e da melhor maneira possível, e de que unidas, as trabalhadoras são capazes de enfrentar e combater todos os tipos de violência.
A atividade foi promovida pela ASERGHC, com coordenação da Diretora de Raça, Gênero e Diversidade da Associação, Márcia Leal Recova, e organização da Diretora de Saúde do Trabalhador, Anália C. P. da Silva. O evento contou com a participação das advogadas Dra. Marí Rosa Agazzi e Dra. Livia Prestes, do escritório Paese, Ferreira & Advogados Associados.
As advogadas presentes introduziram alguns conceitos importantes, como o de “racismo recreativo”, termo cunhado pelo jurista Adilson Moreira, que trata justamente de um aspecto do racismo que muitas vezes passa despercebido: aquele que se dá nas conversas informais, nas piadas, no dia a dia das trabalhadoras e dos trabalhadores. Identificamos racismo recreativo nos comentários sobre o cabelo crespo e nas variadas formas de sexualização dos corpos das mulheres, formas recorrentes de violência contra as mulheres negras. A Dra. Livia Prestes ressaltou que é importante: “revisitar nosso conceito do que é uma brincadeira – até porque algo que era comum na nossa época de criança, hoje em dia já não é mais aceito”.
A Dra. Marí Rosa Agazzi também apresentou alguns termos e tipos de violências que acontecem no local de trabalho, como o racismo e a discriminação das diferenças, por exemplo, o etarismo. Ela ainda destacou a necessidade do autocuidado na hora de lidar com essas violências: “se a instituição não cuida, mesmo sendo seu dever constitucional, eu tenho que fazer a minha parte: lutar por esse direito. A gente tem que se fazer respeitar. Essa é uma fala de autocuidado. Temos que cuidar da nossa saúde mental. Não perder o senso do que é justo, do que é ético”.
Além disso, as advogadas indicaram estratégias, encaminhamentos, formas de lidar com as agressões e como reagir. O registro documental da denúncia foi destacado como o mais importante, seja o registro formal pelas vias da Gestão, ou aquele possível: gravações, diários, anotações, conversas pelas redes sociais, etc. É importante reunir provas para poder agir frente às violências.
Márcia Leal Recova indicou ainda que “precisamos de outros momentos como este. A questão do assédio é estritamente comprobatória e provar o assédio é muito difícil. Só temos uma certeza: a gente precisa continuar combatendo essa violência. Precisamos de locais seguros, onde a gente trabalhe com respeito”. A Diretora de Promoção Cultural da ASERGHC, Kalarran R. A. Saturnino, também relatou exemplos vitoriosos de denúncias que deram resultado e da importância de “não deixar passar”. A presidente da ASERGHC, Luciana de Almeida, denunciou a gestão: “eles dizem que são contra a violência, contra o feminicídio, mas não fazem nada. Tem um banco lá bem bonito, mas que não serve pra nada”.
A ASERGHC acredita na atuação coletiva, apoia e defende as trabalhadoras do GHC. Novas rodas de conversa serão promovidas, assim como será realizada a disponibilização do mapa da ajuda para as denúncias de violência nos hospitais.
Contra toda forma de violência, conte com a ASERGHC! Só a luta muda vida.

















