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Diretor-presidente do GHC retira faixa contra PPP e confronta trabalhadores durante seminário

Diretoria da ASERGHC realizou manifestação durante atividade promovida pela gestão e cobrou transparência e alternativas à implantação de uma Parceria Público-Privada

A diretoria da Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição (ASERGHC) realizou, nesta terça-feira (8), uma manifestação durante seminário promovido pela gestão do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) para discutir a implementação de uma Parceria Público-Privada (PPP) na instituição.

Com uma faixa com a mensagem “Saúde não é mercadoria. PPP não!”, dirigentes da Associação marcaram posição contrária ao modelo que vem sendo encaminhado pela direção do Grupo e cobraram transparência, participação dos trabalhadores e a discussão de alternativas para o futuro do GHC.

O protesto foi pequeno, pacífico e simbólico. Ainda assim, provocou uma reação desproporcional do próprio diretor-presidente do GHC, Gilberto Barichello.

Durante a atividade, Barichello dirigiu-se até o local da manifestação e retirou pessoalmente a faixa utilizada pela ASERGHC. Na abordagem, elevou a voz, apontou o dedo e gritou com trabalhadores que participavam do protesto.

Para a ASERGHC, o episódio é especialmente grave porque ocorreu justamente em uma atividade que deveria servir para ampliar o debate sobre uma decisão capaz de produzir profundas mudanças na estrutura e na gestão do maior complexo hospitalar público do Sul do país.

Se a direção do GHC está segura de que a PPP é o melhor caminho, precisa estar disposta a apresentar informações, responder aos questionamentos e conviver democraticamente com posições divergentes. Retirar uma faixa e confrontar trabalhadores que expressam pacificamente sua posição não contribui para o debate que uma decisão dessa dimensão exige.

A ASERGHC vem cobrando transparência sobre o projeto e defendendo que sejam discutidos outros modelos para garantir investimentos e ampliar a capacidade do GHC sem entregar à iniciativa privada áreas estratégicas da instituição.

A manifestação realizada durante o seminário reafirmou uma posição que a Associação já vem apresentando publicamente: o futuro do GHC não pode ser decidido sem os trabalhadores e sem um amplo debate com a sociedade.

Por que somos contra a PPP no GHC?

A ASERGHC não é contra a construção de um novo hospital, a modernização da estrutura ou a realização de investimentos no Grupo Hospitalar Conceição. Pelo contrário: defendemos mais investimentos públicos para ampliar e qualificar o atendimento prestado à população pelo SUS.

Nossa divergência está no modelo escolhido.

A proposta de PPP para o novo complexo hospitalar prevê uma relação de longo prazo com a iniciativa privada e pode transferir para empresas privadas atividades, estruturas e decisões que hoje fazem parte de uma instituição integralmente pública. Estamos falando de um projeto de grande dimensão, envolvendo recursos públicos por décadas e com consequências que irão muito além da atual gestão do GHC.

Experiências de terceirização na saúde mostram que a fragmentação da gestão entre diferentes empresas pode dificultar a fiscalização, precarizar relações de trabalho e colocar a busca por redução de custos no centro de atividades que deveriam ser orientadas prioritariamente pelas necessidades dos pacientes e do SUS.

Também nos preocupa a falta de participação efetiva dos trabalhadores na construção desse projeto. Quem conhece diariamente os hospitais, suas dificuldades, seus gargalos e suas necessidades precisa participar das decisões sobre o futuro do Grupo. Uma transformação dessa magnitude não pode chegar pronta aos trabalhadores.

Defendemos que o Governo Federal garanta diretamente os investimentos necessários para a expansão e modernização do GHC e que sejam estudadas alternativas de financiamento e gestão que preservem integralmente o caráter público da instituição.

Também defendemos mais transparência, participação dos trabalhadores e da sociedade nas decisões estratégicas do Grupo e mecanismos democráticos de gestão — incluindo a eleição direta para a Presidência do GHC.

O debate, portanto, não é entre construir ou não construir um novo hospital. É sobre quem vai administrar, quem vai decidir, como serão utilizados os recursos públicos e qual GHC queremos para as próximas décadas.

A ASERGHC tem uma posição clara: queremos um GHC moderno, ampliado e com investimentos, mas 100% público, vinculado ao SUS e administrado de acordo com o interesse público — não com a lógica do lucro.

Saúde não é mercadoria. PPP não!