O Piquete Chama Nativa, da ASERGHC, ficou cheio na sexta-feira (18) para um encontro que já entrou para a história do Acampamento Farroupilha. Pela primeira vez, um piquete dedicou um dia inteiro às famílias atípicas, no caso, de famíliasdo Grupo Hospitalar Conceição (GHC).
Desde as 10h até o final da tarde, trabalhadoras, trabalhadores e seus familiares ocuparam o espaço para viver um dia de convivência, acolhimento, alimentação e, principalmente, escuta.
A atividade nasceu de uma demanda das próprias famílias atípicas do GHC, que haviam procurado a Prefeitura de Porto Alegre para solicitar um evento específico no Acampamento Farroupilha. O pedido não foi acolhido. A ASERGHC, porém, decidiu abraçar a causa e abrir as portas do seu piquete.
E a resposta veio na forma de um espaço cheio de famílias.
Um piquete preparado para acolher
Para receber as crianças e suas famílias, o Chama Nativa teve sua estrutura adaptada. Foi criado um espaço especialmente decorado para as crianças, e a alimentação também foi pensada a partir das necessidades e preferências apresentadas pelas famílias.
Durante todo o dia, as famílias puderam permanecer no piquete, conversar, brincar, compartilhar experiências e aproveitar a programação.
A iniciativa também contou com a colaboração dos piquetes vizinhos. A ASERGHC havia solicitado a redução dos volumes de som nas proximidades durante a atividade, considerando que estímulos sonoros muito intensos podem causar desconforto e sobrecarga para algumas pessoas atípicas. O pedido foi acolhido pelos vizinhos, contribuindo para tornar o ambiente mais confortável e acessível.
Uma nova tradição no Chama Nativa
O encontro também deixou uma decisão: a partir de agora, o Piquete Chama Nativa terá, todos os anos, um dia dedicado às famílias atípicas do GHC.
O que começou como uma demanda das famílias e uma iniciativa da ASERGHC agora se transforma em compromisso permanente.
“Foi muito bonito ver o piquete cheio de famílias, perceber o quanto elas queriam estar ali e, principalmente, ouvir o que elas têm a dizer. A Prefeitura não quis abraçar essa causa, mas a ASERGHC quis. E nós vamos continuar abraçando. Esse encontro agora faz parte da nossa história e será uma tradição do nosso piquete”, destaca a presidenta da ASERGHC, Luciana de Almeida.
Cartilha de direitos será construída com as famílias
Durante o encontro, a ASERGHC também lançou um chamado para que as famílias participem da construção de uma Cartilha de Direitos de Famílias Atípicas.
A proposta é reunir, em um material acessível e prático, informações sobre direitos, serviços, benefícios, saúde, educação, assistência, documentos e caminhos para buscar ajuda.
A intenção é que a cartilha seja construída também a partir das experiências e necessidades das famílias.
Uma comissão permanente para as famílias atípicas
Outra proposta surgiu durante o encontro. A diretora de Saúde do Trabalhador da ASERGHC, Anália Silva, sugeriu a criação de uma Comissão de Famílias Atípicas da ASERGHC, de caráter permanente.
A ideia é formar um espaço coletivo para que as famílias possam participar da construção de ações, apresentar suas demandas e atuar conjuntamente na defesa da inclusão, do respeito e no enfrentamento ao preconceito.
A proposta reforça o compromisso da ASERGHC de não tratar a pauta da inclusão como uma ação pontual, mas como uma construção permanente.
O primeiro dia foi um começo. Agora, virou tradição, virou compromisso e virou rede.
A ASERGHC agradece às famílias que participaram, aos piquetes vizinhos que colaboraram e a todas as pessoas que ajudaram a tornar esse encontro possível.
Porque um Acampamento Farroupilha para todos também precisa ser um espaço onde todas as famílias possam se sentir em casa.









