Audiência pública cobra solução urgente para a Unidade de Saúde Conceição - Aserghc

Audiência pública cobra solução urgente para a Unidade de Saúde Conceição

Roda de conversa sobre violência brinda acolhimento para as trabalhadoras do GHC
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30/04/2026
Roda de conversa sobre violência brinda acolhimento para as trabalhadoras do GHC
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30/04/2026
Audiência cobra solução urgente para a Unidade Conceição e expõe críticas da comunidade e trabalhadores à gestão do GHC.

Audiência cobra solução urgente para a Unidade Conceição e expõe críticas da comunidade e trabalhadores à gestão do GHC.

A situação da Unidade de Saúde Conceição, no bairro Cristo Redentor, foi tema de audiência pública realizada nesta quarta-feira, 28 de maio, no Salão Social da ASERGHC. A atividade reuniu comunidade, trabalhadores, representantes da Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição, direção do GHC, Prefeitura de Porto Alegre, Conselho Local de Saúde e parlamentares para debater a grave falta de estrutura da unidade e cobrar soluções concretas para um problema que se arrasta há décadas.

A audiência foi proposta pelo deputado estadual Matheus Gomes (PSOL), por meio da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, com apoio da deputada estadual Luciana Genro (PSOL) e da ASERGHC. 

Mobilização começou antes da audiência

A ASERGHC acompanha a situação desde o início e está mobilizada junto à comunidade e aos trabalhadores da Unidade Conceição. Em janeiro, a associação participou da organização de um protesto para denunciar as condições precárias do espaço físico e exigir providências da gestão do GHC.

A audiência pública foi mais um passo dessa luta, construída a partir da pressão da comunidade, do Conselho Local de Saúde e dos trabalhadores que vivem diariamente os efeitos da falta de estrutura.

Estrutura provisória há anos e demanda crescente

Durante a audiência, usuários e trabalhadoras relataram que a unidade funciona em um espaço provisório há anos, sem condições adequadas para atender a população do território. Segundo relatos apresentados, a antiga estrutura, pensada para uma população muito menor, hoje precisa responder a uma demanda de cerca de 20 mil a 25 mil moradores. O resultado é a falta de salas, ausência de espaços de reunião, dificuldades para atendimento de especialistas, trabalhadores sem local adequado para alimentação e descanso, além de usuários aguardando atendimento em condições inadequadas.

A representante do Conselho Local de Saúde, Nara Eunice, afirmou que a discussão não era sobre a qualidade do atendimento prestado pelos profissionais, mas sobre a falta de espaço para que esse atendimento ocorra com dignidade. Ela destacou que há especialistas com carga horária disponível, mas sem sala para atender, conselheiros que precisam se reunir em corredores, armários de trabalhadores colocados na rua, e pacientes idosos que enfrentam dificuldades de acesso em uma estrutura que não responde mais às necessidades da comunidade.

Trabalhadores denunciam falta de condições

Trabalhadoras da unidade também deram voz à realidade vivida no cotidiano. Uma profissional relatou que sua saúde mental está abalada pela necessidade de “competir” com colegas por uma sala disponível. Segundo ela, quando um paciente falta, a equipe avisa imediatamente que “a sala liberou”, tamanha é a disputa por espaço. Também foi denunciado que profissionais especialistas, como endocrinologistas, não conseguem atender com a regularidade necessária porque simplesmente não há local adequado para isso.

ASERGHC critica falta de prioridade da gestão

As críticas à gestão do GHC estiveram presentes em diversas falas. Representando a ASERGHC, Arlindo Ritter questionou a falta de prioridade da direção em consolidar a estrutura já existente no Grupo Hospitalar Conceição. Para ele, não é aceitável que a gestão discuta expansão para outras cidades enquanto unidades básicas do próprio GHC, como a Conceição, seguem sem condições mínimas de funcionamento. “Eu vou assumir Rio de Janeiro, Pelotas, penso em Canoas, Alvorada, mas não penso em consolidar o GHC”, criticou, ao defender que a atenção primária seja tratada como prioridade real.

Barrichello reconhece problemas, mas proposta é questionada

A direção do GHC foi representada por Gilberto Barrichello, diretor-presidente, e por Gerusa Bittencourt, gerente da atenção primária. A gestão reconheceu que as condições atuais da unidade são péssimas e apresentou duas possibilidades: uma solução paliativa com a instalação de nove módulos/contêineres em terreno próximo à unidade, ampliando de 10 para 15 consultórios, e a solução definitiva com a construção de uma nova sede no terreno da Escola Dolores Alcaraz Caldas.

Barrichello indicou o prazo de 60 dias para a implementação da medida emergencial. A proposta dos contêineres, no entanto, foi recebida com críticas por parte da comunidade, que cobrou transparência, participação efetiva e garantias de que a solução provisória não substitua a construção da nova unidade.

Comunidade cobra prazos e respeito

A postura de Barrichello também foi alvo de críticas durante a audiência. Em meio às intervenções, uma trabalhadora afirmou ter se sentido intimidada e reforçou que aquele deveria ser um espaço de escuta, não de constrangimento aos trabalhadores e usuários que denunciavam a realidade da unidade.

O episódio gerou intervenção do deputado Matheus Gomes, que cobrou respeito às falas apresentadas e afirmou que não cabia à direção qualificar ou deslegitimar manifestações da comunidade e dos profissionais.

Usuários também questionaram a falta de datas concretas. Uma moradora afirmou que o prazo “já esgotou”, lembrando que a comunidade ouve há anos promessas de solução. Outro usuário classificou a situação como motivo de “vergonha e indignação”, especialmente pelo tratamento oferecido aos idosos, que são parte expressiva da população atendida. Para ele, a crise da Unidade Conceição é uma “bomba relógio”, diante do envelhecimento da população e da crescente demanda por atenção básica.

Prefeitura informa tramitação, mas não apresenta prazo

A Prefeitura de Porto Alegre foi representada por Viviane Goulart, assessora parlamentar da Secretaria Municipal de Saúde, e Fernanda Chassot, representando o secretário Fernando Ritter.

A Prefeitura informou que há um processo em tramitação para o termo de concessão de uso do terreno da Escola Dolores Alcaraz Caldas, que deverá passar pela Câmara de Vereadores. Segundo a representante da Secretaria Municipal de Saúde, o processo está em fase final de documentação, mas ainda sem prazo definido para envio ao Legislativo municipal.

Comissão mista e acompanhamento público

Ao final da audiência, o deputado Matheus Gomes defendeu a criação e efetivação de uma comissão mista para acompanhar o andamento do projeto, com participação da comunidade, trabalhadores, ASERGHC, Conselho Local, GHC, Prefeitura e representantes do Legislativo. Também foi apontada a necessidade de acesso público ao processo administrativo, para que a comunidade possa acompanhar cada etapa da tramitação.

ASERGHC seguirá mobilizada

Para a ASERGHC, a audiência confirmou aquilo que trabalhadores e usuários vêm denunciando há muito tempo: a Unidade de Saúde Conceição não pode mais seguir funcionando em condições improvisadas. A associação seguirá mobilizada com a comunidade, cobrando da direção do GHC, da Prefeitura de Porto Alegre e das demais autoridades uma solução imediata, transparente e definitiva.

A defesa da Unidade Conceição é parte da defesa do SUS, da atenção primária e das condições dignas de trabalho. A comunidade e os trabalhadores já fizeram sua parte: denunciaram, se organizaram, protestaram e ocuparam a audiência pública. Agora, cabe à gestão apresentar prazos, assumir responsabilidades e garantir que a nova unidade saia do papel.

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