Ingressos para o Arraial da ASERGHC já estão disponíveis
09/07/2026A ASERGHC participou, na segunda-feira (13), de uma manifestação realizada em frente à FIERGS, durante a abertura do XXXIX Congresso do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS). Ao lado de entidades sindicais, movimentos sociais e organizações em defesa da saúde pública, a Associação denunciou o avanço da Parceria Público-Privada (PPP) proposta pelo Governo Federal para a construção e gestão do novo complexo hospitalar do Grupo Hospitalar Conceição (GHC).
O ato teve como principal objetivo alertar gestores de saúde de todo o país para os riscos que a PPP representa ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ao caráter público do maior complexo hospitalar 100% SUS da Região Sul.
A ASERGHC reafirma que defende a construção de um novo hospital para ampliar e qualificar o atendimento à população. O que está em debate, porém, é o modelo escolhido para viabilizar esse investimento. A proposta apresentada transfere à iniciativa privada a responsabilidade pela construção, pelos equipamentos e pela gestão de diversos serviços essenciais do novo complexo, que passarão a ser remunerados com recursos públicos durante décadas.
Trata-se de uma forma de privatização da gestão pública. Embora o patrimônio permaneça pertencendo ao Estado, o funcionamento cotidiano do hospital passa a depender de contratos privados, subordinando áreas estratégicas da instituição à lógica do mercado e do lucro.
A preocupação da ASERGHC também se fundamenta na realidade já vivida pelo GHC. A ampliação das terceirizações nos últimos anos tem produzido precarização das relações de trabalho, perda de capacidade técnica e maior dependência de empresas contratadas. Um exemplo recente é a terceirização da manutenção de equipamentos de anestesia. Enquanto técnicos concursados permanecem impedidos de realizar os serviços, equipamentos seguem parados aguardando atendimento da empresa contratada, comprometendo a agilidade e a autonomia do hospital.
Para a Associação, a PPP aprofunda esse processo. Em vez de fortalecer as equipes próprias, realizar concursos públicos e ampliar a capacidade estatal de gestão, o modelo direciona recursos públicos para contratos privados de longa duração, criando uma dependência permanente de empresas para atividades essenciais ao funcionamento do hospital.
Durante a manifestação, os participantes defenderam que o fortalecimento do SUS exige investimento público direto, valorização dos trabalhadores e trabalhadoras e gestão pública das unidades de saúde. A ASERGHC reforçou que saúde não pode ser tratada como mercadoria e que a modernização da infraestrutura hospitalar não precisa, nem deve, significar a privatização de sua gestão.
A ASERGHC seguirá mobilizada em defesa de um Grupo Hospitalar Conceição 100% público, 100% SUS**, reafirmando a posição que tem orientado sua atuação: hospital novo, sim. GHC terceirizado, não.




