Morte, exposição química e medo: trabalhadores denunciam falhas e precarização em unidade do GHC - Aserghc

Morte, exposição química e medo: trabalhadores denunciam falhas e precarização em unidade do GHC

Os administradores do GHC declaram estado de greve!
Os administradores do GHC declaram estado de greve!
23/03/2026
Protesto cobra respostas após morte de trabalhadora e falhas no posto Santíssima Trindade
Protesto cobra respostas após morte de trabalhadora e falhas no posto Santíssima Trindade
25/03/2026
Os administradores do GHC declaram estado de greve!
Os administradores do GHC declaram estado de greve!
23/03/2026
Protesto cobra respostas após morte de trabalhadora e falhas no posto Santíssima Trindade
Protesto cobra respostas após morte de trabalhadora e falhas no posto Santíssima Trindade
25/03/2026
Morte de trabalhadora terceirizada expõe falhas, exposição química e medo entre profissionais de unidade do GHC.

Morte de trabalhadora terceirizada expõe falhas, exposição química e medo entre profissionais de unidade do GHC.

A morte de uma trabalhadora da Unidade de Saúde Santíssima Trindade, em Porto Alegre, desencadeou uma série de denúncias sobre condições de trabalho, exposição a produtos químicos e falhas institucionais no Grupo Hospitalar Conceição (GHC). A profissional era terceirizada, condição que foi apontada por colegas como um fator de maior vulnerabilidade no ambiente de trabalho.

Em uma reunião realizada na sede da ASERGHC, que reuniu dezenas de trabalhadores, gestores e equipe da saúde do trabalhador, vieram à tona relatos de adoecimento, insegurança e medo dentro da unidade.

O encontro ocorreu semanas após o procedimento de desinsetização nas dependências da unidade. Segundo trabalhadores, a comunicação sobre o procedimento foi falha e insuficiente, o que teria contribuído para a exposição de profissionais ao produto. Relatos apontam que muitos não receberam orientações, nem equipamentos de proteção adequados. 

Em diversos momentos da reunião, trabalhadores relataram que as  informações circularam de forma desencontrada, por meio de mensagens informais e aplicativos como WhatsApp, sem comunicação institucional clara ou padronizada. Também foi apontado que instâncias como a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e o Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) não foram acionadas previamente para acompanhar o procedimento, o que teria dificultado a organização, a prevenção de riscos e até mesmo a coleta de amostras do produto aplicado para análise.

“Começou com uma ardência na garganta, depois veio a tosse, falta de ar. A gente foi piorando”, relatou uma trabalhadora. Outros profissionais afirmaram que precisaram, por conta própria, providenciar máscaras e orientar colegas diante da ausência de informações formais.

Além dos relatos, surgiram elementos objetivos que reforçam a preocupação dos trabalhadores. A colega que veio a óbito teria apresentado aumento significativo na procura por atendimento médico após a exposição, além de sintomas compatíveis com irritação respiratória. Também foi informado que a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) não foi emitida dentro do prazo legal, e que o caso foi posteriormente notificado no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).

Durante a reunião, trabalhadores questionaram a condução do caso por parte do GHC e cobraram responsabilidade. “Se não dá pra comprovar que foi o veneno, também não dá pra descartar que ele agravou a situação”, afirmou uma das participantes. Em diversos momentos, o clima foi de indignação e luto. “A gente está falando de uma colega que não volta mais”, disse outra trabalhadora.

A direção do GHC afirmou que a investigação sobre a causa da morte está em andamento e que, até o momento, não é possível estabelecer nexo causal entre o óbito e a exposição ao produto. Representantes da gestão destacaram a necessidade de aguardar laudos técnicos e defenderam que o procedimento seguiu protocolos vigentes.

Ainda assim, foram reconhecidas falhas no processo, especialmente na comunicação com as equipes e na ausência de acionamento prévio de instâncias como a CIPA. A proposta de realização de uma limpeza completa da unidade surgiu a partir dos próprios trabalhadores durante a reunião e, diante da pressão, passou a ser considerada pela gestão entre os encaminhamentos, junto à revisão de fluxos e ao acompanhamento dos profissionais expostos.

Um dos pontos mais críticos levantados pelos participantes foi a situação dos trabalhadores terceirizados. Relatos indicam que muitos permanecem em atividade mesmo quando apresentam sintomas, por medo de perder o emprego ou sofrer represálias. “A terceirização tem sido cruel. As pessoas não se afastam porque têm medo”, afirmou uma trabalhadora. Para os participantes, esse contexto de vínculo mais frágil contribui diretamente para a exposição a riscos e dificulta a adoção de medidas de autoproteção.

Durante a reunião, também foi destacado que o número de trabalhadores potencialmente expostos pode ser maior do que os casos inicialmente identificados. Profissionais defenderam a necessidade de avaliação ampla, incluindo terceirizados e estagiários, diante da circulação de pessoas na unidade no período.

Além das condições materiais, relatos apontaram para um ambiente de trabalho marcado pelo medo e pela insegurança. Trabalhadores denunciaram situações de assédio e pressão hierárquica, que influenciam diretamente a capacidade de questionar decisões ou se afastar diante de riscos à saúde. “Eu tenho medo de falar e amanhã não estar mais aqui”, relatou uma participante.

Para os trabalhadores, esse conjunto de fatores — falhas de comunicação, fragilidade nos vínculos de trabalho e um ambiente de pressão — não pode ser dissociado do que ocorreu. Ao longo da reunião, foi recorrente a avaliação de que o episódio não deve ser tratado como um caso isolado, mas como parte de um contexto mais amplo que exige mudanças estruturais.

A reunião também foi marcada por manifestações emocionadas sobre o impacto da perda. Profissionais relataram dificuldade em lidar com a morte da colega e apontaram falta de sensibilidade na condução institucional do caso. “Isso não é só protocolo. É luto”, afirmou uma trabalhadora.

Ao final do encontro, foram discutidos encaminhamentos como a ampliação do acompanhamento em saúde dos trabalhadores, revisão dos protocolos de segurança, melhoria na comunicação institucional e avaliação das condições de trabalho na unidade.

A investigação sobre o caso segue em andamento. Enquanto isso, trabalhadores cobram respostas, responsabilização e mudanças concretas para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.

Morte, exposição química e medo: trabalhadores denunciam falhas e precarização em unidade do GHC
Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Guardamos estatísticas de visitas para melhorar sua experiência de navegação.